Dentro do mundo das séries
13/04/2008



Fernanda Furquim é formada em Jornalismo pela ULBRA/RS. Além de ser autora do livro "Sitcom: Definição e História" e do fanzine TV Land, atualmente tem uma coluna no site "Canal RetroTV"
e escreve para um blog "Revista TV Séries"
Ela contou ao Dentro do Balaio sobre sua carreira e como é trabalhar com séries de TV.



Você foi uma das primeiras a escrever sobre séries de TV. Já teve uma revista, um fanzine, escreveu um livro e atualmente tem um blog. Você sempre foi apaixonada pelo tema?

Cresci assistindo televisão. Nasci e vive muitos anos no interior de São Paulo. Nos anos de 1970 não tinha muita coisa para uma criança fazer a não ser brincar e assistir TV ou ir ao cinema. Então acabei virando fã desse gênero e com o tempo, comecei a buscar informações a respeito. Importava livros e assinava revistas. Com a chegada do VHS comecei a gravar e a comprar séries que eram lançadas lá fora, já que no Brasil tinha pouquíssimo investimentos nessa área. Entre 1995 e 1997, publiquei o fanzine TV Land que se transformou na revista TV Séries. Esta durou até 2001. Publiquei um livro, Sitcom: Definição e História neste mesmo ano. E, agora, após mais de 20 anos estudando o gênero, comecei em 2007 a dar aulas sobre A História da Televisão e das Séries Americanas. Abordando justamente seu desenvolvimento enquanto gênero e narrativa, bem como seu impacto socio-cultural e político. E ainda este ano estarei lançando outro livro nesta área. Então, posso dizer que sim, sou apaixonada pelo tema!


Em uma entrevista para o blog TeleSéries, você disse ter sentido um "esgotamento" sobre o tema seriados. O que te levou a continuar escrevendo ? Qual é o maior desafio de se trabalhar com entretenimento no Brasil?

Na verdade, o esgotamento ao qual me referi na entrevista foi o meu. Em função de manter a revista TV Séries e um site quase que sozinha. Parei a revista em 2001 e o site em 2002, me dediquei a outras coisas, mas acabei voltando a escrever sobre o gênero em 2006 com o Blog. Acho que o gênero séries de TV, especialmente o americano, está hoje passando por uma grande transformação, não apenas técnica, mas de abordagem de roteiros. Está havendo uma inversão muito grande de valores e, com isso, um novo potencial para futuras produções. No Brasil, está, novamente, iniciando um investimento nessa área. Com a qualidade técnica melhor, e a possibilidade de exportar, é bem possível que o Brasil finalmente explore esse filão como fez com as novelas. Só espero que mantenha um nível de qualidade competitivo com o mercado exterior. O tempo dirá. A maior dificuldade em se trabalhar nessa área é, basicamente, o preconceito e a falta de qualificação. As séries ainda são consideradas entretenimento e não objeto de estudo.

O profissional que opta por trabalhar com o jornalismo de entretenimento sofre preconceito por não fazer parte de editorias "nobres" como política e economia?

Com certeza, especialmente quem escreve sobre televisão. Com a programação brasileira do jeito que está, não dá nem para culpar. A ordem de importância é literatura, teatro, cinema e televisão. Se bobear, a publicidade vem antes da televisão.

Seu blog não faz a linha do "Legendado", da Globo.com, onde a opinião é mostrada claramente pela autora, Claudia Croitor. Como você lida com a isenção e parcialidade? Tem alguma série favorita?

Desde que iniciei meus trabalhos com a TV Séries tenho como objetivo apresentar as informações. Muito embora a opinião sempre acabe aparecendo em algum momento. Mesmo assim, tento apresentá-la de forma clara, sem preconceitos ou tendências. Tento evitar uma linguagem que possa desmerecer o tema ou que possa desmerecer o leitor. Iniciei a revista por não aguentar mais ler textos "abobrinhas" sobre séries de TV. Comprava um jornal ou uma revista para ler sobre uma série que eu gostava e o texto não me acrescentava nada e ainda me tratava como débil mental. Por isso a adoção de um texto mais sério com a revista. O Blog segue essa linha, já que ele é da Revista TV Séries e não da Fernanda, eu apenas o mantenho.

A classificação das séries, para mim, segue três linhas básicas: as séries afetivas (que trazem o sabor da infância e a nostalgia, quer sejam boas ou não), as séries que tem um ótimo desenvolvimento de situações e personagens (que são as que eu considero as melhores como um todo) e as séries importantes para a história da televisão (que podem ser boas ou não). Dentro dessas três linhas tenho várias séries favoritas, por gênero e por décadas. Impossível de listar!!!

Seu trabalho inspira várias pessoas fãs de séries, tanto as clássicas quanto as mais novas na tv. Qual é o conselho que você dá para quem pensa em seguir a área?

Fico feliz em saber que inspiro alguém! É um meio difícil, ainda está se formando. O preconceito ainda é grande, as pessoas do meio ainda torcem o nariz para este tipo de trabalho, mesmo sendo fãs também, ou esperam que você escreva um texto vazio. A única coisa que posso dizer é: se mantenha firme em seus objetivos. Ignore as críticas depreciativas, leve em consideração as críticas construtivas. Pense que é melhor fazer o que gosta e ser boa no que faz, que fazer algo que não vai sair bom porque você não gosta de fazer. Meu lema sempre foi: quem quer faz. Eu fiz o que eu queria, eu fiz o que eu acreditava ser certo. Deu certo porque me dediquei de fato e não aceitei um não como resposta. Buscava alternativas.

Para finalizar, o que você vê na tv atualmente? Tv paga ou aberta ?

R: Hoje em dia eu assisto mais DVD que TV. Não suporto mais ver comerciais a toda hora. Me acostumei a assistir os episódios em maratona. Importo muito coisa que não vai chegar nunca ao Brasil. Vejo muitas séries que estão passando ou não na TV. Tenho amigos que gravam para eles e eles me emprestam os DVDs. Então, não posso dizer que assisto TV, seja aberta ou fechada. Mas, algumas das séries novas que estou acompanhando no momento são Mad Men, Dexter, Damages, Pushing Daisies, Dirt, Desperate Housewives, Lost, Tell Me You Love Me, In Treatment, The Tudors, Medium, The Closer, Californication, Battlestar Galactica, entre outras.



Autor: Editoria de Entrevista

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